|
Ilhas do Porto
Editing script,
based on the literary script by Paulo Rosaria
TO THE EDITOR
ASSIGNED BY WILD HORSE PRODUCTIONS TO WORK AS MY EDITOR:
* I have pointed out to
you the TAPE NUMBER to which each sequence corresponds. Clear editing
points are given by the PREMASTER TAPE, which you must use as a general
guide for the MASTER TAPE. These points may be mistaken by a half or a
complete second--this due to the shortcomings of my editing facilities
(I cut the documentary in two regular VHS). So, please, correct the
missing frames where the match looks awkward.
* The credit sequence of the PREMASTER TAPE is repeated. It means slow
motion.
* Although I often use people's names, you should rely on the signed
release forms for correct spelling of the names.
* I will ask you to write
me or to call me. That way I will be able to solve your questions. Hope
to see the MASTERTAPE by June the 16th, on my return to Porto.
FADE IN:
TITLE CARD
Vivo numa ilha com
sabor tropical
A fauna é
variada, demografia acidental
Psicopátria,GNR
HUGO'S FATHER, WHO SHAVES HIS BEARD.
|
TAPE 8,
STARTING AT 00:00:01. SEE PREMASTER TAPE FOR EDITING
|
TAPE 4,
03:56
INTERVIEW
WITH ERCILIA. TO ADD HER VOICE only, OVER THE IMAGES OF HER HUSBAND
SHAVING.
«Eu sou
reformada e ganho poucochinho, o meu marido está desempregado
há muito tempo também ganhava pouco, agora não
ganha nenhum... Temos uma vida difícil tudo o que a gente pode
arranjar é mais em função do rapaz, é a
comida e a roupa... anda a estudar, ele anda no 9º, ele quer
prosseguir os estudos e se houver possibilidades ele vai continuar. Se
não houver desiste, tem de trabalhar, não é?
(...)
O meu marido
também fechou a fábrica dele, quando era novo trabalhou
lá 30 anos. Quando fechou ficou pelo desemprego, depois foi para
uma empresa e quando acabou o contrato veio para casa também.
às vezes vai entregar anúncios, reclames, propaganda...
da Silantos, propaganda mas não é política,
é jornais, reclames às pizzas e assim. São assim
reclames... aos óculos... e assim...
|
2.
MUSIC ENTERS. "Porto
Pintado"
3.
4.
5.
2.
CREDITS ROLL OVER IMAGES OF PEOPLE'S
FACES IN SLOW MOTION
6.
TAPE 12,
7.
TAPE
13, Just at the beginning, before the
first minute
8.
9.
MUSIC FADES OUT
10.
11.
12.
13.
Um documentario de
Hugo N. Santander Ferreira
14.
Ilhas
do Porto
15.
16.
17.
Dissolve to:
18.
19.
3. PAULO´S
VOICE OVER
|
PAULO (VO)
Para qualquer pessoa
que não conheça a realidade do Porto, ou mesmo para
alguns habitantes menos atentos desta cidade, estamos perante uma
porta...
«(Pausa)Mas
esta porta não é uma porta qualquer. É uma porta e
uma ponte. Uma ponte de ligação a uma ilha...
|
-TAPE
4, MINUTE 24. PAULO WALKS DOWN THE STREET AND ENTERS INTO AN ILHA.
Dissolve
to:
o
TAPE 3, SECOND PART
00:29:53. Two shots:
a.
CAMERA ENTERS
FOLLOWING ANTONIO PEREIRA FROM THE STREET TO THE ILHA, and
|
|
ANTONIO PEREIRA WALKS
FROM THE ILHA TO THE STREET.MUSIC UP: "MAR DE VULTOS"--STARTING POINT:
WHEN THE SINGER SAYS: 'ANDOSOBRE UM MAR QUE ME EMBRIAGA'MUSIC continues
low beneath voice of Paulo«As ilhas do Porto nasceram em meados
do século dezanove, e inícios doséculo vinte. Serviram para acolher centenas de
pessoas que abandonaram o campo para tentar a sua sorte na cidade
industrializada.-PANNING OF PORTO. TAPE 6, 00:23:16
|
|
20.
21.
4. INTERVIEW WITH
António Pereira de Queiroz (BARBER)
|
NOTE:
All the interviews are overlay with supporting images. I have not
included them in the PREMASTER TAPE for obvious reasons. They will be
indicated by the B column--including tape number and time code. The
text in column A corrects the mismatches of the PREMASTER TAPE--when
the voice is interrupted due to my editing constrains.
|
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|
TAPE 6
APQ - (47:20-)
Quando vim para aqui isto era tudo esburacado, tudo, nem pavimento
havia aqui nem nada, de maneira que a partir daí fizeram este
pavimento foi a câmara que se enganou, pensavam que isto tinha
saída mas isto não tinha saída e foi o
benefício que teve o bairro que o próprio dono do bairro,
Agora as casas continua tudo velho, o senhorio não gasta um
tostão aqui (-48:05)
(...)
(48:28:20) aqui
é que era uma fábrica de curtumes mesmo, onde curtiam,
onde tinham as salgadeiras e aquela trapalhada toda.
(...)
(50:03-) Sim, quando
eu vim para aqui há 45 anos já se falava disso,
até pessoas amigas quando eu aluguei a casa disseram-me fizeste
mal porque isto está sentenciado a ir abaixo. vai tudo abaixo,
mas isto já vai há 45 anos, criei aqui os filhos,
casaram, já tenho netos e isto vai continuar e eu ainda morro e
isto continua como casa. isto ainda não vai ser assim
facilmente...
P - E porque
crê que continua?
APQ - Eu acho que
sim, que isto continua, ouvi dizer que isto vai agora abaixo
brevemente, mas não acredito nisso. Eu hei-de ir primeiro...
(...)
(51:40-)A minha
família? Duas estão na Alemanha, os rapazes estão
cá e eu estou sozinho, sou viúvo...
(...)
(53:46-)oito dias
depois de eu estar na cidade do Porto fui trabalhar para uma pelucaria
vá, para uma barbearia e então morreu um senhor que era
importante aqui na cidade, era um visconde morava ali na
Constituição e ninguém queria ir fazer a barba ao
senhor e então eu disse que então vou eu, e então
como eu tinha a deficiência que tenha, ele estava morto numa cama
muito larga, que antigamente usavam as camas muito largas e ele estava
no meio da cama e eu não podia lá ir, tive que ir para
cima da cama de joelhos para lhe fazer a barba e então a senhora
a esposa estava nos pés da cama de joelhos e disse: ó
senhor barbeiro não magoe muito ao meu filho, ao meu marido,
ó minha senhora eu não o posso magoar porque ele
está morte
(...)
(57:49) Quem
é que não tem saudades dos 20 anos? Agora meu amigo,
estou aqui metido num buraco, sabe como é já vou fazer
também setenta e cinco... também já não
é brincadeira nenhuma, mas também já gozei a minha
vida, fiz o que tinha a fazer, cumpri com o meu dever, e agora estou
à espera da hora de marcha...
P - O que acha da
morte?
APQ - O que acho da
morte? Acho que é uma coisa maravilhosa, carago, então
não é. Bem. Não tenho ninguém que olhe por
mim, agora se eu cair numa cama, agra se eu for ali para dentro e estar
a ver televisão e ficar a dormir para sempre é uma
maravilha, como a minha mulher foi assim almoçou ali comigo, foi
para a cama quando a gente deu fé já estava no outro
lado, é isto...
|
-VOICE
STARTS OVER IMAGE OF THE COMPANY IMAGE OF MOTORCAR OVER THE ISLAND. (TAPE 6 from 35:07--included in master
tape)
-APQ
MOVING TOWARDS HIS CAR (TAPE 6, from 59:59 to 1:00:46)
-APQ
ARRIVING TO THE STORE TO BUY GROCERIES (TAPE 8, scene 47, 42:18)
SYNC
IMAGE--TO INSERT CREDIT PLEASE.
-APQ
INVITING US TO DRINK (TAPE 7, 0:OO:14)
SYNC
IMAGE FOR A FEW SECONDS AND:
-DEATH
PUPPET IN THE COFFIN (TAPE 10, STARTS IN 0:01:10--TO EDIT IN SLOW
MOTION, IN A MYSTERIOUS WAY)
SYNC
-TO END
INTERVIEW WITH APQ´S CLOSE-UP (TAPE 6, FROM 46:54:12 TO
47:04:19). LEAVE A LONG PAUSE OVER HIS LAST WORDS, SO THAT WE GET HIM
IN SILENT CLOSE-UP
|
|
|
|
|
22.
23.
5.
WOMAN INTRODUCING THE FERNANDINAN
WALLS.
|
PANNING
OVER THE WALLS. TAPE 9, SCENE 91. 00:52:30.
|
MUSIC
IN
MUSIC
OUT
|
24.
25.
6.
INTERVIEW WITH JOSE CAETANO. TAPE 3,
PART 1, 26:27 MIN.
26.
27.
JC: Sim, do
incêndio. Mas isso não era a fábrica, era
químicos,
era um depósito de químicos que estava lá
instalado e houve lá um incêndio que
tive que fugir que por pouco não morri. Era um cheiro medonho.
28.
29.
P: Vocês
ficaram cá?
30.
31.
JC: Era perto.
32.
33.
P: Mas ficaram
cá?
34.
35.
JC: Eu fugi. Se
fosse agora bem morria, mas naquela altura andava
bem e fugi lá para cima... era um fumo tóxico que as
pessoas asfixiavam.
36.
37.
CUT TO:
38.
39.
7.
EXCERPT OF THE INTERVIEW WITH EMILIA
MARQUES. 7:43
MIN.
40.
41.
Como eu tinha
casquinhas nos móveis e ficaram pretas e até hoje
já
lhes mandei darvários banhos, já gastei bastante dinheiro
e elas ficam sempre
assim, parecepreto, aprece que nunca estão limpas. Inclusive
tive a minha filha
e até tive que a levar ao médico porque ela ficou atacada
dos pulmões por causa
do fumo.
42.
43.
8. PAULO´S
VOICE OVER
|
PAULO (VO)
Algumas das Ilhas
foram mesmo construídas pelos proprietários das
fábricas para dar guarida aos seus novos operários.
Outras nasceram
espontaneamente,
sempre junto das unidades industriais, que entretanto proliferavam.
PAULO (VO)
As fábricas e
bairros proletários, aos quais hoje chamamos Ilhas,
substituíram
as quintas e os campos, soterraram alguns ribeiros,
promoveram o
progresso industrial, expandindo o tecido urbano da cidade até
aos arrabaldes.
|
-IMAGES
OF ANTONIO PEREIRA WORKING IN FRONT OF A DOOR.
TAPE 6,
FROM 30:30 TO 32:24--SEE EDITING IN MASTER TAPE
-IMAGE
OF THE DOURO
RIVER.
TAPE 6 (02:19 AND
3:31)
|
44.
45.
9. SHOT
OF THE DOURO
RIVER
FROM A WINDOW.
|
TAPE 5,
36:15 to 36:23. Avoid second panning, if necessary freeze the still of
36:23.
|
MUSIC IN: "ESTRADA DO TEU REGRESO"
MUSIC OUT
|
46.
47.
10. INTERVIEW WITH
HUGO PEREIRA
|
TAPE 3, PART 2, 11:51
HP: Esta ilha sempre
foi a mesma. Vêm aqui pessoas para dizer que isto
melhorará, São só promessas. Promessas. Isto, como
estão a ver, está tudo a ir abaixo e não temos
condições. Se não é uma pessoa a juntar
dinheiro, isto não vai a lado nenhum.
(...)
(12:46-)HP: A
relação é tudo de amizade, convivência, isso
não há nada, achamos todos a mesma coisa.
(...)
(15:09-)HP: Eu vim
de Campanhã para aqui. A minha madrinha... os meus padrinhos
tomaram conta de mim que não tinha condições
também... eram piores de que estas. Já pode imaginar como
(...)
Não tinha
condições... nenhumas...estudos, não tinha, andava
aí pela rua...com os meus irmãos, todos a pedir e a
arrumar carros, isso não é condições para
um jovem. Então os meus padrinhos viram que eu não tinha
condições e tomaram conta, como os outros que
estão nos colégios, e é assim...
|
-RUNNING
SEWAGE, TAPE 3, SECOND PART, 11:13 TO 11:28
SYNC
WITH CREDIT.
-IMAGES
OF HUGO COMING OUT OF HIS HOUSE AND WASHING HIS HEAD. STARTS IN TAPE 8,
10:16. NEEDS TO BE EDITED.
-HUGO
STUDYNG, TAPE 8, TWO SHOTS:
a.
From 25:32 to 25:48, and
b.
From 25:20 to 25:30
|
48.
11.
INTERVIEW WITH ERCILIA SANTOS,
HUGO´S MOTHER
|
TAPE 4, 13:57
(13:57-) EC- Isto
foi assim, a avó dele tinha sido minha colega no trabalho, e
conhecia a mãe dele desde pequenina, desde os cinco anos, ela
cresceu, casou e teve assim muitos filhos. Eu ia sempre lá
visitar a casa, e como eram assim muitas crianças eu tinha penas
deles e levava assim coisas, rebuçados, chocolates, bolachas...
para dar aos
miúdos. quando passaram o pô-los no colégio porque
eles não tinham condições, a avó pediu-me
para ficar com ele porque ele era muito fraquinho e ela tinha medo de
ele ir para o colégio porque era o mais fraquinho de todos, e
pediu-me para ele vir para aqui, pediu-me para o baptizar e aqui
ficou...
ele nunca mais quis
ir embora e adaptou-se aqui... e eu quando o baptizei não era
com ideia de ele ficar aqui mas de o ir lá ver a casa, mas ele
veio dois dias antes do baptizado para lhe comprar uma roupa, para lhe
cortar o cabelo,
para lhe dar banho
que ele andava assim muito mal arranjado, e depois do baptizado fui
levá-lo a casa e ele começou a chorar a dizer que
não queria, que queria vir para minha casa,
agarrou-se-me ao
pescoço, deixai-me ficar em vossa casa, e entretanto quando
combinei com a mãe de levá-lo no dia seguinte,
começou a chorar e nunca mais quis ficar em casa, de cada vez
que ia-mos lá ele queria sempre vir com a gente...
P: Lembras-te porque
é que choravas?
EC- Não
queria ficar lá, queria ficar aqui...
HP: Porque aqui
sempre era melhor tratado, tinha condições melhores e
gostava do tratamento...
Lá em baixo
andava como a minha madrinha já disse, descalço e assim a
pedir...
EC- Andava a pedir
rebuçados cá for a com os irmãos... E era assim...
Já tinha
roupa, já tinha calçado, já tinha comida e tinha
carícias... e tinha beijos... que lá não tinha...
tinha mimos... tinha os mimos.
E com 5 anos era
muito pequenino, eu andava com ele ao colo ainda e o meu marido, se ele
estava a dormir andávamos sempre a vigiá-lo e ainda
agora...
a ver se ele
está descoberto... se está bem coberto... é um
bocado miserável aqui a casa mas tem sempre melhor do que na
casa dele. Tem mais mimos, é diferente.. por exemplo, na casa
dele ele andava na rua e não se importavam se ele chegava cedo
ou tarde, aqui não, chega cedo, vai para a escola, vem da
escola, se vai para fora tem horas de chegar, e eu nem preciso de lhe
marcar porque ele cumpre sempre, lá não... tenho outras
normas de criar as crianças...
|
SYNC
-STILL
IMAGE, TAPE 4, 17:44.
-SYNC
-STILL
IMAGE, TAPE 4, 17:58.
SYNC
-STILL
IMAGE, TAPE 4, 18:14:10
SYNC
-STILL
IMAGE, TAPE 4, 18:27:18
SYNC
-TRAVELLING
WITH HUGO PEREIRA AND PAULO. TAPE 8, FROM 35:03 TO 35:18. IT GIVES A
PAUSE AFTER ERCILIA´S LAST WORDS.
|
49.
12.
DIRECT CINEMA SEQUENCE OF ERCILIA AND
HUGO IN THE SUPERMARKET
50.
TAPE 8.
SEE PREMASTER TAPE FOR CUTTING.
51.
52.
13.
EXCERPT OF INTERVIEW WITH HUGO PEREIRA
|
TAPE 3,
PART II, (14:04-)HP: Ontem? Fui para a escola do
Instituto que estou a aprender línguas. Porque na escola
não estou assim adaptado às línguas e assim estou
a aprender melhor que é para quando for para o estrangeiro
arranjar emprego e melhores condições de vida, fora, que
aqui as infra-estruturas, não dá.
|
SYNC
|
53.
14. COOKING
SEQUENCE.
54.
TAPE 9.
STARTING AT 00:00:01. FALLOW
MASTER TAPE.
55.
56.
15.
SHOT OF AMERICA
SABINO. HER REACTION ON MY
COMPLIMENT ABOUT HER HAIRCUT. TAPE 9, 16:54.
57.
58.
16. PAULO´S
VOICE OVER
|
PAULO
O presente em tudo
se assemelha a qualquer cidade europeia mais ou menos cosmopolita.
Porto, capital da cultura dá o mote e legitima a
modernização da cidade. o passado, ficam as
tradições duma cidade com um pé rural, um
pé barqueiro e depois, também um pé industrial.
Incrustadas nos quarteirões de prédios burgueses,
escondidas dos olhar urbano e europeizado da aparentemente
próspera cidade invicta, envelhecem comunidades de raiz
novecentista, constrangidas, envergonhadas, mas ainda coesas e
solidárias. Sentem a passagem inexorável do tempo.
|
-SHOT
OF BOAT CROSSING THE DOURO
RIVER.
VIEW FROM A WINDOW. TAPE 9, 24:43.
-ZOOM
OUT FROM THE MANSSION BEYOND THE DOURO RIVER
TO THE ILHA. TAPE 9, FROM 35:16 TO 36:00. THIS SHOT SHOULD BE COMPLETE,
THAT IS, SHOULD END WITH THE WOMAN IN THE ILHA--SEE, AS ALWAYS,
PREMASTER TAPE. IT WILL ALLOW A LONG PAUSE AFTER PAULO´S LAST
WORDS.
|
59.
17.
EXCERPT OF THE INTERVIEW WITH CARLOTA PEREIRA. TAPE 9, 0:44:20
60.
61.
CP - Se tivesse aqui
uma casa de banho (...) agora para onde é que
eu vou viver agora? porque a gente aqui está perto de tudo,
está perto da rua
escura, das compras, está perto da Ribeira, está perto do
Bolh-ao, está perto
de tudo e a gente está aqui tão habituada, de
manhã vai ao peixe, depois vai à
Ribeira às azeitonas e essas coisas todas, qualquer pessoa de
família que
apareça ao fim de semana a gente vai buscar um frango,
está perto de tudo, a
gente aqui até estamos bem o pior é as casas, nós
até estamos bem, o pior é as
casas.
62.
63.
18. PAULO´S
VOICE OVER
|
PAULO
A casa de Maria
Arminda Pinto pode servir de modelo conhecer a construção
típica de
Uma casa das ilhas
do Porto. Todas têm uma porta e uma janela. A porta da rua,
mantêm-se quase sempre aberta para arejar a sala. A janela serve
para iluminar o quarto de dormir. Como muitos outros vizinhos da Ilha,
Maria Arminda Pinto teve que dividir o seu quarto, de maneira a
arranjar espaço para os filhos. Os filhos de Maria Arminda
abandonaram a Ilha logo que começaram a trabalhar. Agora, moram
em apartamentos nos arredores do Porto.
|
SHOTS
OF MARIA ARMINDA´S HOUSE:
1.
TAPE 5, 13:31-13:42
2.
TAPE 8, 16:29-16:41:17
3.
TAPE 5, 12:51
4.
TAPE 5,
11:53-12:04--This image is dark, which is fine, since it should mean
the entrance to a hellish place
5.
TAKE OF THE BACK AND
WINDOW OF Maria Carvalho Ferreira TAPE 6, FROM 41:25:04 TO 41:33:10.
|
64.
19.
INTERVIEW WITH MARIA ARMINDA G. PINTO.
|
TAPE 4, (57:12-)
MAGP: Eu podia dizer
que levava uma recordação daqui, foi aqui que nasceram os
meus filhos, foi aqui que os vi a andar, foi aqui que fiz muita
companhia com o meu marido que Deus me levou, ele tinha os seus
defeitos, e até à data de hoje fui-lhe sempre fiel, tanto
na vida real com ele como depois de falecer e eu disse-lhe sempre
Zé um dia que eu saia daqui a única saudade que levo
é dos nossos filhos de ter vivido na casa. Mas quem me dera a
mim sair já amanhã. é isso que tenho mais saudade,
não é pela vizinhança ou contra a
vizinhança, é outro convivência é outra
maneira de viver. Olhe a gente, dá-nos uma dor de barriga
lá temos que ir com um balde, com um baldito que a gente tem
dentro de casa ir despejar à sanita,
Às vezes a
gente vai despejar estão lá, a gente tem deixar ao lado
da porta para depois ir despejar, e essa saudade que eu sinto é
dizer assim vou sair daqui não preciso de andar com o balde na
mão, dá-me uma dor de barriga vou, que eu vejo o conforto
que tenho quando
Vou à casa do
meu filho mais novo e o conforto que eu tenho quando vou à minha
filha.
|
SYNC
AND CREDIT
-SHOT
OF GIRL, TAPE 8, 55:09-55:32, TO BE INSERTED ONE INSTANT AFTER THE TEAR ROLLS OVER ARMINDA´S CHEEK.
-SHOT
OF WOMAN OPENING THE BATHROOM. TAPE 6, FROM 4:17:19 TO 4:54:12--Here it
may be necessary to freeze the last frame, in order to give enough time
to the toilette image.
SYNC
|
65.
20. INTERVIEW TO
AMERICA
|
[NOTE: THE SEGMENTS IN BOLD CAPITALS IS IN THE PREMASTER
TAPE, BUT IT HAS TO BE IGNORED, THAT IS, IT SHOULD BE EXCLUDED FROM THE
FINAL TAPE:
TAPE 9,
(21:27-) AS-PRECISAVA
DE UMA CASINHA QUE TIVESSE QUARTO DE BANHO E QUE FOSSE UMA CASA BOA COM
TRÊS OU QUATRO QUARTOS, QUE TENHA A MINHA FAMILIA, ENFIM
NÃO TEMOS QUARTOS DE BANHO DENTRO DE CASA ISSO TODA A GENTE SABE, eu
não posso subir as escadas...
(...)
AS - Vou de
canadianas e chamo um taxi.
(...)
AS - Agora o que era
bom era, meu filho, ter uma casa com quarto de banho para a gente estar
sentada, fazer chichi, a necessidade, tomar banhinho, assim é
que era. Uma pessoa reformada ganha muito pouco, não é? E
para ganhar assim pouco mas ganhar alguma coisa é do meu
trabalho, nesta casa nasci eu, a minha irmã e os meus
irmãos, e o meu pai casou daqui, já é muito
antiga, depois é claro leva umas reformazitas porque é
claro quando a gente tem dinheiro a gente manda fazer, quando a gente
não tem, tem de (...)
CUT
TO:
TAPE 6,
(14:00-) MAIS - OS
VIZINHOS OLHE, NÃO TENHO QUE DIZER PORQUE ISTO JÁ
SÃO VIZINHOS MODERNOS, SÃO AMIGOS DO SEU AMIGO,
SÃO RAPAZES AMIGOS, EU PELO MENOS NÃO TENHO QUE DIZER
PORQUE NENHUM ME FAZ MAL E NENHUM SE METE COMIGO, PORQUE EU
TAMBÉM NÃO ME METO COM ELES, PODEM TER AVERSÕES
DELES, MAS EU PARA MIM NÃO TENHO NADA QUE DIZER, TODA A GENTE ME
RESPEITA QUE EU SOU A MAIS ANTIGA, ELES NÃO FALAM DE MIM E EU
NÃO FALO DELES, SÃO EDUCADOS, NÃO HÁ
PROBLEMAS. (...)]
MAIS
- Olhe, aqui na ilha, quando aquele senhor morreu que era daqui, ali
naquele sítio fazia-se o S. João de carne, sabe o que
é? Um rapaz e uma rapariga, depois havia um menino, um rapaz
vestido de cordeirinho, lá em cima no largo faziam isso, mas
aqui era só uma amostra, o senhor que era dali, fazia dali
até aqui com chafariz muito jeitoso aquilo, a gente punha-se
aqui, assa-se sardinhas e pimentos, para quem passar e eles vinham aqui
dentro e a gente punha-se aqui a dançar cada qual com um
rádio alto, é muito bonito no S. João, não
há ninguém que apague o S. João das Fontainhas,
podem vir agora (..) com a ponte, mas ninguém dá cabo das
Fontainhas, porque é tradição, isto é
antigo, o senhor nunca veio cá ao S. João?
Alguém apaga
aquilo? Quem? E por aqui é muita gente para baixo e para cima,
rapaziada nova, e depois há muitas raparigas que ficam
barrigudas, o S. João das Fontainhas faz dessas coisas,
não é? Eu tenho sessenta e tais e também fui dessa
borga portanto tem de se dizer a verdade...
|
VOICE
OFF. WE START WITH AMERICA´S VOICE OVER THE IMAGES OF THE DOGS
PALYING CLOSE TO HER, TAPE 6, FOM 21:19 TO 21:41.
SYNC
& CREDIT
-INSERT
LONG SHOT OF TWO WOMEN DANCING. STARTS TAPE 13, 18:32...
(THE
MUSIC WILL ENTER AS WELL--LOW, AS A BACKGROUND TO AMERICA´S
VOICE).
-SYNC.
STILL THE MUSIC CONTINUES AS A BACKGROUND
-AND
HERE WE RETAKE THE SAME SHOT OF THE TWO WOMEN DANCING WITH FULL MUSIC
VOLUME. IT
WILL TAKE SEVERAL SECONDS
|
66.
21. CARLOTA PEREIRA
E MARIA EMÍLIA DE JESUS. MARIA
EMILIA TELLS US SHE BROKE HER LEG.
|
TAPE 6, (27:57-)
P - O que lhe
aconteceu?
MEJ - Caí!
P - Nas escadas?
MEJ - Sim, sim,
já são duas vezes que eu parto a perna, (..) não
nos querem levar daqui para fora, levem-nos para a CEE.
P - Duas vezes,
conte-nos como partiu?
MEJ - Olhe
até está escrita, foi a minha neta que escreveu
aí...
P - Como foi o
acidente?
MEJ - Caí,
vinha a andar e escorreguei e caí, estas escadas(-28:25:17).
(...)
(28:55-)MEJ -
Escorreguei fiquei com a perna por baixo e parti-a. parti-a assim aqui,
agora a seguir escanei do lado, escanei daqui e daqui. Já
são duas vezes seguidas que ponho gesso, porque fui lá e
não estava bem, ainda estava (...) disse-me que ainda estava
muito e que eu ao por o pé podia escanar outra vez e tornaram-me
a pôr... para quem está em casa e está habituada a
andar é muito triste.
|
SYNC
-INSERT:
TRAVELING OF CAMERA UPSTAIRS,
TAPE
10, 05:37.
-INSERT
OF MARIA´S BROKEN LEG, TAPE 6, 29:52-29:59.
|
67.
22. VOICE OF WOMAN
SINGING 'NINGUEM FOLHE DA MALA SORTE, E O
DESTINO QUE DIOS DA'
|
VOICE
TO BE TAKEN FROM:
TAPE
10, 4:20-4:28--EQUALIZE IT TO THE BEST POINT.
|
-INSERT OF IMAGE OF
|
68.
23.
WOMAN PUNISHES A CHILD FOR CROSSING
HIS BODY BETWEEN THE CAMERA AND
69.
HERLSELF. TAPE 10,
2:54-3:27
70.
71.
24. ENTREVISTA
CARLOTA PEREIRA E GERALDINA RICARDO. THE
PAINFUL DEATH OF CARLOTA´S HUSBAND.
|
TAPE 5
(45:41-)CP - Tenho
44 anos, sou viuva e tenho 3 filhos. Sempre vivi nesta casa com muitas
dificuldades e aqui fiquei porque nos prometeram casa há muitos
anos. E nunca tivemos oportunidades... Entretanto o meu marido adoeceu
ficou muito doente, e nem mesmo assim tivemos direito a uma casa. A
Segurança Social disse-nos que nos ia arranjar mas nunca
cá veio ninguém. Como esta minha amiga sabe o meu marido
ficou impossibilitado de andar, teve um tumor durante 12 anos, sempre
viveu aqui e era preciso transportá-lo e muitas vezes eram os
vizinhos que ajudavam inclusivamente pouco antes dele falecer chamamos
os bombeiros e eles recusaram-se a vir cá em baixo buscar o
doente. Disseram que não podiam vir cá baixo
buscá-lo, então tive que utilizar as ambulâncias
particulares que pagava, a última vez foram seis contos por dia,
para o virem buscar cá baixo porque os bombeiros não
vinham buscá-lo. Passei muito, sei lá...
GR - Teve muitas
dificuldades, passou uma fase difícil com o marido desempregado.
(...)
CP - Nós
sofremos, tanto os nossos filhos como eu, até aqui com a minha
vizinha que eu digo que ela é minha meia-irmã, o meu
marido chegava a ir-lhe pedir comida a casa porque dizia que não
queria comer, que não queria a minha comida, ele estava
tão... como as crianças...
GR - Estava muito
debilitado com o câncer que o debilitou de uma certa forma, e a
pessoa fica de certa forma debilitada com estas doenças e a
pessoa e ele começou a conviver com as pessoas e é isso.
(...)
(49:12-)GR - Foi uma
questão de amizade, já vivo aqui há 25 anos,
conhecia o Sr. José há muitos anos, e nós entre
vizinhos dámo-nos bem, temos uma certa ligação,
convivemos muito uns com os outros e cria-se aqui uma certa amizade com
as pessoas.
CP - Os vizinhos
é que desciam cá a baixo para ajudá-lo a levar ao
miradouro para ser transportado na ambulância porque eles muitas
vezes não vinham.
(...)
LONG
PAUSE IN VOICE OVER--ALLOW THE IMAGE OF THE THREE & SKY TO REMAIN
BY ITSELF FOR SOME SECONDS
(52:54-) Aos dias,
porque fiquei com uma reforma de 22 contos e 800 do meu marido. Mais
nada. Mais ainda espero poder sair daqui para fora, se for tenho muita
pena de deixar esta minha amiga, que é como minha
meia-irmã e do marido mas estou cheiinha deste sítio aqui
para viver. Não tenho condições nenhumas, a pessoa
quer vir tomar banho à noite e vai para ali....
|
SYNC
-INSERT
SHOT OF TRAVELING STAIRS UP, TAPE 10, 05:17.
SYNC
-INSERT
SHOT OF CARLOTA SHOWING PHOTOS OF HER FAMILY. TAPE 6, 0:01:08-0:01:31
SYNC
-INSERT
SHOT OF CARLOTA WITH MALE NEIGHBORS. TAPE 9, 52:54-53:03
SYNC
-INSERT
SHOT OF HOUSES, THREE AND SKY. TAPE 10:
a. 9:31
TO 9:38
Disolve to:
b. 10:12 TO 10:33
|
72.
25.
ANGELA MARIA FERREIRA AND HER MOTHER TELL
US HOW THE SEWAGE WATERS COME INTO HIS HOUSE.
|
TAPE 3, PART II,
(3:23-) AMF.-Eu moro
aqui há 44 anos e é sempre a mesma porcaria, esgotos a
passar, a bicharia por aqui, as crianças a brincar, pessoas de
idade... é horrível isto, as pessoas até chegam a
uma conclusão que desanima da porcaria...
(...)
AMF: Nada, porque
vai para tudo à minha porta. Se não quero que vá
para à minha porta tenho que apanhar para o apanhador, pôr
em sacos plásticos... RM: Tenho o meu marido com 82 anos,
há um ano sem sair cá fora, com a porcaria ali, que
é semana sim semana não que a gente tem de estar a limpar
com a vassoura e a lançar aos baldes de água e eu
não tenho saúde para isto, é que ninguém se
chega, ninguém quer dar um balde de água, recusam-se a
dar um balde de água...
AMF: Mas não
é isso que está em causa...
RM: É tudo a
mesma coisa porque a gente também tem que ver estas coisas...
P: E onde é
que vocês pedem água?
RM: Pelas portas,
porque quando a água era de toda a gente, tudo dava, mas agora
como cada um puxou a água para si, temos a água por nossa
conta, tudo se recusa a dar a água. E ainda esta moça foi
trabalhar um dia destes e deixou-me a chaves para ir tirar a
água que fosse precisa ali à porta dela e eu tive que
andar de vassoura porque era uma porcaria por aqui abaixo, e estou
há 3 dias.
|
-INSERT
SHOT OF SEWAGE. TAPE 3, PART II, FROM 31:09 TO 31:23
-INSERT
OF BATHROOM. TAPE 2, 1:03:14:23 TO 1:03:25
|
73.
26. PAULO´S
VOICE OVER.
|
PAULO
Nas ilhas do Porto,
tudo correria bem se as condições de vida o
permitissem. Ao
contrário do que acontece por vezes, neste caso, a culpa
não é das pessoas.
|
-IMAGE
OF RAIN AND PEOPLE. TAPE 13:
a.
FROM 23:26 TO 23:39
b.
FROM 22:30 TO 22:35
c.
FROM 23:44 TO 23:54.
|
74.
27.
WOMAN COMES AND TELLS US SHE IS
BRINGING FLOWERS TO THE VIRGIN.
75.
TAPE 12,
9:48 TO 9:57 10:04:23 TO 10:11:07
28.
WOMAN SAYS, 'LIFE IS SAD... IT IS'
TAPE
12, 1:02:07-1:02:12
29.
INTERVIEW WITH EMÍLIA DA CONCEIÇÃO--NOTE: NOT
INCLUDED IN THE PREMASTER TAPE. EDIT IT FOLLOWING
THIS SCRIPT.
|
TAPE 2, 36:36
EC:Olhe senhor, se
fosse mal eles até já me tinham matado, mas eu sou destas
pessoas, boto tudo para trás das costas e faço de conta
que não existo.
P:Mas porquê?
EC:O senhor
não quer saber que dizem que as paredes têm ouvidos e que
mais vale estar calada, então... o calado é sempre
melhor, diz que uma pedra fora da boca é como uma pedrada fora
da mão e a gente vai vivendo... também já tenho 72
anos, vou fazer, já não estou para me incomodar muito,
já me incomodei muito,
P: ?
EC:Estas que me
"alobraram" a casa, de onde o senhor chegou, de onde os senhores
estão até me fizeram para me botar for a da barraca, a
mim e à filha, mas Deus também lhe tem dado o castigo,
uma está "engrangada" e o outro já morreu e Deus
lá está, nunca faças mal que esperes de vir bem...
P:?
EC:Ali eu falo com
toda a gente, num quero... os barulhos já acabaram há
muitos anos. Falo, mas sabe o senhor como falo? Eu falo para as pessoas
mas o melhor fica cá dentro... a gente hoje não pode
conversar com ninguém, porque a gente estamos a conversar e a
morder-nos por trás... não é? Já tenho
feito muito bem e só tenho encontrado quem me morda... e eu falo
se falam para mim, se não falam desisto, não quero
cá barulhos de andar com as pessoas a dizer mal por trás.
a gente quando disser fala pela frente e não por trás.
A minha casa
é ir para o cemitério. Depois de tantos anos aqui a viver
e nunca me deram uma casa, a mim e á minha filha, ainda
há quatro anos fui à junta, fui à câmara, o
senhor presidente é muito bom, o que lá está, mas
quando é para os votos sabe o meu nome mas quando não
é para os votos casa não há. Isto é assim...
(...)
(39:56-) meu marido
deixei-o porque ainda me comia e me roubava e levava para as mulheres e
então fiquei sozinha, era miúda a minha filha, tinha dois
aninhos ou três e eu trabalhei num café do Padrão,
trinta e tal anos, e o que eu trabalhava, ia às tardes, tinha
que criar a minha filha e é assim...
(...)
(41:27:09-)
Lá campos, não tenho a ninguem. A mia familia morreu touda
(...)
(43:53-) Rezo e vou
à missa e sou católica, mesmo católica pura,
não sou de dizer assim: ai sou católica praticante...
O que isso de ser
praticante? Ser católica e não ir à missa, nem se
confessar, nem receber o senhor, nem nada? Isso é que é
católica? Para isso desisto, não acho, uma pessoa...
|
-TILD
DOWN FROM THE WATER TANK TO EMÍLIA DA CONCEIÇÃO,
TAPE 2, 28:01-28:11
SYNC
& CREDIT
-INSERT
OF EMILIA TAKING PART OF THE PLANTS. TAPE 2:
a.
FROM 59:19 TO 56:26
b.
FROM 59:40 TO 59:44:01
c.
FROM 1:00:21 TO 1:00:32
-INSERT
OF EMILIA TAKING CARE OF HER RABBITS. TAPE 2--STARTS AT 1:01:20, BUT IT
IS JUMPY. YOU MAY CUT THIS SEQUENCE, JUST BE SURE TO INCLUDE HER
KISSING THE RABBIT.
-INSERT
OF HER HEN, TAPE 2, FROM 25:25 TO 25:33.
SYNC
-STILL,
TAPE 2, 57:18:17
-STILL
OF HER FAMILY PICTURE. TAPE 2, 57:32:03
SYNC
-INSERT
OF THE IMAGE OF CHRIST AND ROSARY. TAPE 5, 10:37.
SYNC
|
31. INTERVIEW WITH
MARIA ADÉLIA
ALMEIDA
|
TAPE 7, 1
(21:10)MAA - Ah sim,
mas não foi a minha culpa, sempre paguei o IVA, paguei...,
paguei tudo, já estou aqui há muito tempo, o meu marido
também, e nunca ficamos a dever nada a ninguém
(...)
(22:32-)a
fiscalização também deve ter metido muitos
enganos, foi aos fornecedores e faltavam facturas e eu mandava tudo
para o guarda-livros, ele vinha buscá-los no dia anterior, nem
eu sei como gastava tanto, como é que eu pagava aqui 600 contos
de IRS... não posso pagar porque isso não dá,
deixo-me estar e eles quando vierem cá que fechem, se vou a dar
a reforma para eles, fico com a reforma... é assim.
(...)
(23:25-)o papel que
eu escrevi como sabia porque eu não tenho estudos, não
mande que nós mandamos...
(...)
(27:05-) Se
dissesse: comestes e bebestes, pagas, mas agora assim não...
Ainda tenho ali o papel escrito em como eu expliquei tudo, como era,
que foi o guarda-livros, tenho ali o papel e as Finanças puseram
o carimbo, mandei e eles não mandaram nada, já escrevi
outro depois para lá, para Lisboa, para as Impostos, pois sim,
nem resposta, aos pobres ninguém responde, se fosse os grandes
que estão a dar muito rendimento para eles, eles respondiam, se
uma pessoa dar muito rendimento...
|
SYNC
& CREDIT
-INSERT,
TAPE 7, FROM 34:22 TO 35:38
-INSERT
OF WOMAN WHOWING PAPER, TAPE 7, FOM 32:58 TO 33:10
|
31.
WOMAN IN A WHEEL CHAIR.
|
PAULO´S
VOICE OVER
(TRANSLATE)
This
woman suffer a stroke 12 years ago. Since then till our last day of
shooting, she was secluded at her small house. Her only way to
communicate with other was throug her tears.
CREDITS
ROLL OVER GROUP PLAYING MUSIC.
(AS YOU
WILL NOTICE THE CAMERA IS OUT OF CONTROL AT SOME POINTS(JUMPY OR OUT OF
FOCUS). REPLACE THOSE SEGMENTS WITH OTHER IMAGES OF THE PARTY, WHICH
YOU CAN FIND IN THE SAME TAPE.
|
TAPE 13:
a.
FROM 14:42 TO 14:54
b.
FROM 15:01 TO...
Once
the voice ends, sync sound and music enters
|
END
Hugo
Santander, Porto, Manchester,
2000
|