Hugo Santander 




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Ilhas do Porto


Editing script, based on the literary script by Paulo Rosaria

TO THE EDITOR ASSIGNED BY WILD HORSE PRODUCTIONS TO WORK AS MY EDITOR:

    * I have pointed out to you the TAPE NUMBER to which each sequence corresponds. Clear editing points are given by the PREMASTER TAPE, which you must use as a general guide for the MASTER TAPE. These points may be mistaken by a half or a complete second--this due to the shortcomings of my editing facilities (I cut the documentary in two regular VHS). So, please, correct the missing frames where the match looks awkward.
    * The credit sequence of the PREMASTER TAPE is repeated. It means slow motion.
    * Although I often use people's names, you should rely on the signed release forms for correct spelling of the names.
    * I will ask you to write me or to call me. That way I will be able to solve your questions. Hope to see the MASTERTAPE by June the 16th, on my return to Porto.

 
 

FADE IN:

 

TITLE CARD

Vivo numa ilha com sabor tropical

A fauna é variada, demografia acidental

 

Psicopátria,GNR

HUGO'S FATHER, WHO SHAVES HIS BEARD.

TAPE 8, STARTING AT 00:00:01. SEE PREMASTER TAPE FOR EDITING

TAPE 4, 03:56

INTERVIEW WITH ERCILIA. TO ADD HER VOICE only, OVER THE IMAGES OF HER HUSBAND SHAVING.

 

«Eu sou reformada e ganho poucochinho, o meu marido está desempregado há muito tempo também ganhava pouco, agora não ganha nenhum... Temos uma vida difícil tudo o que a gente pode arranjar é mais em função do rapaz, é a comida e a roupa... anda a estudar, ele anda no 9º, ele quer prosseguir os estudos e se houver possibilidades ele vai continuar. Se não houver desiste, tem de trabalhar, não é?

(...)

O meu marido também fechou a fábrica dele, quando era novo trabalhou lá 30 anos. Quando fechou ficou pelo desemprego, depois foi para uma empresa e quando acabou o contrato veio para casa também. às vezes vai entregar anúncios, reclames, propaganda... da Silantos, propaganda mas não é política, é jornais, reclames às pizzas e assim. São assim reclames... aos óculos... e assim...

2.                 MUSIC ENTERS. "Porto Pintado"

3.                  

4.                  

5.                 2. CREDITS ROLL OVER IMAGES OF PEOPLE'S FACES IN SLOW MOTION

6.                 TAPE 12,

7.                 TAPE 13, Just at the beginning, before the first minute

8.                  

9.                 MUSIC FADES OUT

10.              

11.              

12.              

13.             Um documentario de Hugo N. Santander Ferreira

14.             Ilhas do Porto

15.              

16.              

17.             Dissolve to:

18.              

19.             3. PAULO´S VOICE OVER

PAULO (VO)

Para qualquer pessoa que não conheça a realidade do Porto, ou mesmo para alguns habitantes menos atentos desta cidade, estamos perante uma porta...

 

«(Pausa)Mas esta porta não é uma porta qualquer. É uma porta e uma ponte. Uma ponte de ligação a uma ilha...

 

 

-TAPE 4, MINUTE 24. PAULO WALKS DOWN THE STREET AND ENTERS INTO AN ILHA.

 

Dissolve to:

 

o                                TAPE 3, SECOND PART 00:29:53. Two shots:

a.                               CAMERA ENTERS FOLLOWING ANTONIO PEREIRA FROM THE STREET TO THE ILHA, and

ANTONIO PEREIRA WALKS FROM THE ILHA TO THE STREET.MUSIC UP: "MAR DE VULTOS"--STARTING POINT: WHEN THE SINGER SAYS: 'ANDOSOBRE UM MAR QUE ME EMBRIAGA'MUSIC continues low beneath voice of Paulo«As ilhas do Porto nasceram em meados do século dezanove, e inícios doséculo vinte. Serviram para acolher centenas de pessoas que abandonaram o campo para tentar a sua sorte na cidade industrializada.-PANNING OF PORTO. TAPE 6, 00:23:16

 

 

20.              

21.             4. INTERVIEW WITH António Pereira de Queiroz (BARBER)

NOTE: All the interviews are overlay with supporting images. I have not included them in the PREMASTER TAPE for obvious reasons. They will be indicated by the B column--including tape number and time code. The text in column A corrects the mismatches of the PREMASTER TAPE--when the voice is interrupted due to my editing constrains.

 

TAPE 6

 

APQ - (47:20-) Quando vim para aqui isto era tudo esburacado, tudo, nem pavimento havia aqui nem nada, de maneira que a partir daí fizeram este pavimento foi a câmara que se enganou, pensavam que isto tinha saída mas isto não tinha saída e foi o benefício que teve o bairro que o próprio dono do bairro, Agora as casas continua tudo velho, o senhorio não gasta um tostão aqui (-48:05)

(...)

(48:28:20) aqui é que era uma fábrica de curtumes mesmo, onde curtiam, onde tinham as salgadeiras e aquela trapalhada toda.

(...)

(50:03-) Sim, quando eu vim para aqui há 45 anos já se falava disso, até pessoas amigas quando eu aluguei a casa disseram-me fizeste mal porque isto está sentenciado a ir abaixo. vai tudo abaixo, mas isto já vai há 45 anos, criei aqui os filhos, casaram, já tenho netos e isto vai continuar e eu ainda morro e isto continua como casa. isto ainda não vai ser assim facilmente...

P - E porque crê que continua?

APQ - Eu acho que sim, que isto continua, ouvi dizer que isto vai agora abaixo brevemente, mas não acredito nisso. Eu hei-de ir primeiro...

(...)

(51:40-)A minha família? Duas estão na Alemanha, os rapazes estão cá e eu estou sozinho, sou viúvo...

(...)

(53:46-)oito dias depois de eu estar na cidade do Porto fui trabalhar para uma pelucaria vá, para uma barbearia e então morreu um senhor que era importante aqui na cidade, era um visconde morava ali na Constituição e ninguém queria ir fazer a barba ao senhor e então eu disse que então vou eu, e então como eu tinha a deficiência que tenha, ele estava morto numa cama muito larga, que antigamente usavam as camas muito largas e ele estava no meio da cama e eu não podia lá ir, tive que ir para cima da cama de joelhos para lhe fazer a barba e então a senhora a esposa estava nos pés da cama de joelhos e disse: ó senhor barbeiro não magoe muito ao meu filho, ao meu marido, ó minha senhora eu não o posso magoar porque ele está morte

(...)

(57:49) Quem é que não tem saudades dos 20 anos? Agora meu amigo, estou aqui metido num buraco, sabe como é já vou fazer também setenta e cinco... também já não é brincadeira nenhuma, mas também já gozei a minha vida, fiz o que tinha a fazer, cumpri com o meu dever, e agora estou à espera da hora de marcha...

P - O que acha da morte?

APQ - O que acho da morte? Acho que é uma coisa maravilhosa, carago, então não é. Bem. Não tenho ninguém que olhe por mim, agora se eu cair numa cama, agra se eu for ali para dentro e estar a ver televisão e ficar a dormir para sempre é uma maravilha, como a minha mulher foi assim almoçou ali comigo, foi para a cama quando a gente deu fé já estava no outro lado, é isto...

 

 

 

-VOICE STARTS OVER IMAGE OF THE COMPANY IMAGE OF MOTORCAR OVER THE ISLAND. (TAPE 6 from 35:07--included in master tape)

 

-APQ MOVING TOWARDS HIS CAR (TAPE 6, from 59:59 to 1:00:46)

 

-APQ ARRIVING TO THE STORE TO BUY GROCERIES (TAPE 8, scene 47, 42:18)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SYNC IMAGE--TO INSERT CREDIT PLEASE.

 

 

 

 

-APQ INVITING US TO DRINK (TAPE 7, 0:OO:14)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SYNC IMAGE FOR A FEW SECONDS AND:

 

 

-DEATH PUPPET IN THE COFFIN (TAPE 10, STARTS IN 0:01:10--TO EDIT IN SLOW MOTION, IN A MYSTERIOUS WAY)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SYNC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

-TO END INTERVIEW WITH APQ´S CLOSE-UP (TAPE 6, FROM 46:54:12 TO 47:04:19). LEAVE A LONG PAUSE OVER HIS LAST WORDS, SO THAT WE GET HIM IN SILENT CLOSE-UP

 







22.              

23.             5. WOMAN INTRODUCING THE FERNANDINAN WALLS.

 

PANNING OVER THE WALLS. TAPE 9, SCENE 91. 00:52:30.

MUSIC IN

 

 

MUSIC OUT

 

24.              

25.             6. INTERVIEW WITH JOSE CAETANO. TAPE 3, PART 1, 26:27 MIN.

26.              

27.             JC: Sim, do incêndio. Mas isso não era a fábrica, era químicos, era um depósito de químicos que estava lá instalado e houve lá um incêndio que tive que fugir que por pouco não morri. Era um cheiro medonho.

28.              

29.             P: Vocês ficaram cá?

30.              

31.             JC: Era perto.

32.              

33.             P: Mas ficaram cá?

34.              

35.             JC: Eu fugi. Se fosse agora bem morria, mas naquela altura andava bem e fugi lá para cima... era um fumo tóxico que as pessoas asfixiavam.

36.              

37.             CUT TO:

38.              

39.             7. EXCERPT OF THE INTERVIEW WITH EMILIA MARQUES. 7:43 MIN.

40.              

41.             Como eu tinha casquinhas nos móveis e ficaram pretas e até hoje já lhes mandei darvários banhos, já gastei bastante dinheiro e elas ficam sempre assim, parecepreto, aprece que nunca estão limpas. Inclusive tive a minha filha e até tive que a levar ao médico porque ela ficou atacada dos pulmões por causa do fumo.

42.              

43.             8. PAULO´S VOICE OVER

PAULO (VO)

Algumas das Ilhas foram mesmo construídas pelos proprietários das fábricas para dar guarida aos seus novos operários. Outras nasceram

espontaneamente, sempre junto das unidades industriais, que entretanto proliferavam.

 

 

PAULO (VO)

As fábricas e bairros proletários, aos quais hoje chamamos Ilhas,

substituíram as quintas e os campos, soterraram alguns ribeiros,

promoveram o progresso industrial, expandindo o tecido urbano da cidade até aos arrabaldes.

-IMAGES OF ANTONIO PEREIRA WORKING IN FRONT OF A DOOR.

TAPE 6, FROM 30:30 TO 32:24--SEE EDITING IN MASTER TAPE

 

 

 

 

 

 

-IMAGE OF THE DOURO RIVER. TAPE 6 (02:19 AND 3:31)

 

44.              

45.             9. SHOT OF THE DOURO RIVER FROM A WINDOW.

TAPE 5, 36:15 to 36:23. Avoid second panning, if necessary freeze the still of 36:23.

MUSIC IN: "ESTRADA DO TEU REGRESO"

 

 

 

 

MUSIC OUT

 

46.              

47.             10. INTERVIEW WITH HUGO PEREIRA

 

 

TAPE 3, PART 2, 11:51

HP: Esta ilha sempre foi a mesma. Vêm aqui pessoas para dizer que isto melhorará, São só promessas. Promessas. Isto, como estão a ver, está tudo a ir abaixo e não temos condições. Se não é uma pessoa a juntar dinheiro, isto não vai a lado nenhum.

(...)

(12:46-)HP: A relação é tudo de amizade, convivência, isso não há nada, achamos todos a mesma coisa.

(...)

(15:09-)HP: Eu vim de Campanhã para aqui. A minha madrinha... os meus padrinhos tomaram conta de mim que não tinha condições também... eram piores de que estas. Já pode imaginar como (...)

Não tinha condições... nenhumas...estudos, não tinha, andava aí pela rua...com os meus irmãos, todos a pedir e a arrumar carros, isso não é condições para um jovem. Então os meus padrinhos viram que eu não tinha condições e tomaram conta, como os outros que estão nos colégios, e é assim...

 

-RUNNING SEWAGE, TAPE 3, SECOND PART, 11:13 TO 11:28

 

 

SYNC WITH CREDIT.

 

 

 

 

-IMAGES OF HUGO COMING OUT OF HIS HOUSE AND WASHING HIS HEAD. STARTS IN TAPE 8, 10:16. NEEDS TO BE EDITED.